Greve nos transportes <br>exige ilações
O Governo «tem que tirar ilações da greve de hoje», exigiu a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, numa nota que divulgou a 15 de Agosto.
A Fectrans/CGTP-IN começa por dar conta das elevadas adesões dos trabalhadores: na CP, a adesão foi praticamente total, levando a que só tenham circulado os comboios incluídos nos «serviços mínimos»; a CP Carga «nem sequer organizou transportes para o dia de hoje»; na Refer, a adesão foi superior a 70 por cento; no Metropolitano de Lisboa, foi de cem por cento no período que ficou definido como sendo de greve (em resposta à decisão inédita da administração, de abrir parcialmente a rede ao público, a pretexto de «serviços mínimos», menosprezando a segurança de passageiros e trabalhadores); na Carris, a adesão foi superior a 50 por cento; na STCP, a adesão foi de cerca de 30 por cento.
A federação considera que estes índices constituem «uma enorme demonstração de descontentamento dos trabalhadores, face à suspensão dos acordos de empresa, no que concerne ao pagamento do trabalho extraordinário, e à imposição das regras do Código do Trabalho, que podem fazer com que um trabalhador, indicado para trabalhar num dia de feriado (que abdique do seu descanso), seja apenas compensado com metade das horas trabalhadas, sem qualquer outra remuneração».
Esta adesão, avisa a Fectrans, «deve fazer o Governo meditar na irresponsabilidade das suas medidas, num sector em que parte significativa da oferta é assegurada por recurso ao trabalho extraordinário, medida que os patrões e administrações adoptam para limitar a criação de novos empregos».